Quando menina polvo, para mim, só na forma de filetes, mas hoje, embora continue a adorar os afamados filetes, não prescindo de um "arroz do mesmo" para os acompanhar, não resisto a um polvo à lagareiro e até cozido para juntar a uma salada gosto dele. Mas se nessa infância de comer difícil me tivessem falado em pota, eu certamente torceria o nariz, provavelmente apenas por ser "pota, credo que nome" e se não é o mesmo que polvo, não é bom, ora pois. Hoje em dia seja polvo, seja pota é sempre bem-vindo no meu prato. Que gosto mais do sabor do polvo, sim, mas a pota é bem mais económica e se for de qualidade faz-lhe igualmente o gosto, por isso não se acanhem: o que vos trago hoje é um delicioso prato de pota, mas que faço muitas vezes em casa com polvo e nunca me deixa ficar mal.
Ingredientes (para 2 a 3 pessoas, consoante o apetite e acompanhamentos):
2 tentáculos de pota congelados (ou 1 polvo pequeno com cerca de 1,5kg)
2 batatas grandes (podem usar batata doce)
1 pimento, sem sementes, fios e cortado em tiras finas (podem usar uma mistura de pimentos de cores diferentes, ainda fica melhor)
1 cebola, descascada e cortada às rodelas
1 cenoura, descascada e cortada às rodelas
1 folha de louro
1 dente de alho
Sal q.b.
Azeite q.b.
Salsa ou coentros a gosto
Preparação:
Comece por cozer a pota até ficar tenra e deixe arrefecer. Corte os tentáculos em pedaços e reserve. Não use sal nesta fase porque normalmente, quer a pota, quer o polvo já têm sal suficiente para lhes dar sabor.
Coza as batatas com a casca, bem lavadas, até amolecer mas sem cozer em demasia. Deixe arrefecer um pouco e corte em rodelas grossas.
Aqueça uma frigideira com azeite, um dente de alho esmagado e uma folha e uma folha de louro.
Aloure as batatas, de ambos os lados, até ficarem bem douradas. Reserve.
Acrescente azeite à mesma frigideira e junte os legumes, deixe alourar em lume médio, mexendo para não queimar e acrescentando azeite se necessário. Junte uma pitada de sal.
Quando a cebola estiver transparente junte a pota e envolva. Acrescente mais um bocadinho de azeite para que a mistura frite ligeiramente.
Sirva com a batata alourada, polvilhado com salsa ou coentros picados e acompanhe com uma boa salada.
Dica: se usarem o polvo utilizem a cabeça e mais alguma coisa que possa sobrar (o que duvido que aconteça) e utilize para, juntamente com a àgua da sua cozedura, fazer uma quinoa de pota.
Depois de alguma ausência a Ana reabriu a padaria e com ela trouxe o "Convidei Para Jantar" de volta. Fui apanhada de surpresa pelo tema que marca a rentreé: "ailavius". Sim, aqueles "ailavius" ou "ailabius" à moda do Norte, que nos fizeram suspirar na adolescência. Confesso que fiquei bastante indecisa, porque sempre tive os meus ídolos, sim, mas não nenhum tão em particular que me levasse a suspirar e a comprar todas as revistas onde aparecesse. Era, assim, mais de fantasias. A realidade cá e a fantasia lá com os meus ídolos. Como adorava ver televisão e sonhar com aventuras, foi aí que recaiu a minha escolha, inspirada por uma noticia que me fez regressar um bocadinho á adolescência.
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Terá Rita Redshoes fotografado um ovni a pairar sobre a Serra do Pilar?A noticia começou com uma inocente fotografia da minha tão linda cidade do Porto e da não menos bonita ribeira de Gaia publicada por Rita Redshoes na sua página dofacebook. Na foto, junto à Serra do Pilar vêm-se três pontos luminosos no céu que depressa suscitaram a dúvida sobre o que seriam e a hipótese de um OVNI rapidamente se colocou, iniciando-se o habitual arraial de comentários entre crentes e não crentes que estas matérias costumam suscitar.
Eu sorrio. Não, não sou daquelas pessoas que crê que estamos sós na imensidão deste Universo de quem ninguém conhece os limites e que nos permite a fantástica experiência de admirar a luz de estrelas que já morreram. Sim, já pensaram nisso? O tempo no espaço mede-se em anos luz, por isso quando uma estrela nasce ou morre a noticia só nos chegas muitos anos luz depois. Sorrio também porque se agora admito a hipótese de vida para além da Terra, na minha adolescência, que atravessou os fantásticos anos 80, não era uma hipótese. Era uma certeza. Ora, esses anos 80 passeio-os entre os estudos, as leituras (lia avidamente todos os livros que me caiam nas mãos, literalmente, desde "Os Cinco" a "Madame Bovary"), a música (ainda guardo cassetes com as musicas que gravava da rádio) e a televisão e aqui, claro, no topo da eleição estavam as séries de ficção cientifica que exacerbavam a minha imaginação. Não era miúda daqueles "ailabius" de andar sempre a suspirar e a beijar os posters que colava na parede do quarto (atrás da porta, só), mas tinha a minha quantidade de ídolos entre artistas do pequeno e do grande ecran e artistas musicais e entre uns e outros os primeiros ganhavam aos pontos. Talvez porque estivessem no patamar da fantasia e para mim fizesse mais sentido suspirar "ailabius" por personagens em vez das pessoas que os encarnavam, já que essas estavam definitivamente longe, muito longe, da minha realidade.
Estava eu de volta dos tachos, com estes pensamentos e memórias, sorrindo para comigo (lá estou eu a sorrir), quando a Nikita começou a cheirar por baixo da porta de entrada e a rosnar ligeiramente. Ora, a Nikita não rosna, por isso o que é que se passa? Começo a ouvir passos, um estranho som quase metálico, depois mais passos. Naturalmente assustada chamo o D. e entretanto fez-se silêncio. A Nikita deixa de rosnar e começa a abanar a cauda. A campainha toca. O D. abre a porta cautelosamente, deixando a Nikita à vontade, ela tem reações tão prontas e expressivas que corre com qualquer um. Lá fora dois sujeitos de fatiotas estranhas (mas o carnaval já não passou?)
- Please, don`t be affraid! We are in peace!
Arregalo os olhos: Capitão Apollo? What!? Am I going crazy? Estarei a enlouquecer? Olho para o D. e pela expressão dele vejo que não, não estou louca. Acabamos por ouvir o que nos tinham para dizer: como eu sabia (sim, eu sabia), tinham feito uma longa jornada em busca do nosso planeta. A terra prometida para os sobreviventes da guerra contra os Cylon, a quem, finalmente, haviam derrotado. Mas alguns desses seres terriveis tinham também conseguido alcançar o planeta Terra e embora tivessem conseguido capturá-los quase todos, havia ainda um foragido que se atrevera a passar pelo nosso jardim. Apollo e Starbuck vinham no seu encalço e Apollo havia ficado para trás para nos avisar para termos cuidado. Entretanto, Starbuck aparece, ofegante, tinha recebido a comunicação via rádio de que o malvado Cylon havia sido encontrado e capturado. Regozijaram-se de alegria e como o dia começava a cair e os meus heróis pareciam cansados, acabamos por os convidar para jantar, afinal o arroz já estava no forno e que melhor que um prato quente para recuperar forças.
Desculpei-me pela simplicidade da refeição, a verdade é que não estava à espera de convidados, mas ainda bem que nessa noite o jantar era um prato farto. D. levou-os para a sala, sempre seguidos pela Nikita aos saltos, serviu-lhes um Porto, que apreciaram e começaram a contar as suas aventuras em busca desta colónia de humanos chamada Terra, confessando que quase haviam perdido a esperança quando a nave Battlsestar Galactica teve uma avaria no seu sistema de navegação e acabou por entrar neste sistema solar. Foi um mero acaso, mas um feliz acaso. "Mas que feliz acaso!!" pensei eu, ter o capitão Apollo (Richard Hatch) sentado na minha sala de estar ... Entre o sentido de humor sempre espirituoso de Starbuck (Dirk Benedict) e o cavalheirismo de Apollo, passamos umas agradáveis horas de conversa. Estávamos siderados com o que nos contavam acerca de outros mundos. Chegou a hora de partirem. Agradeceram o jantar e a hospitalidade. Tinha sido um começo auspicioso, disseram. Agora tinham que se reunir com os demais sobreviventes e procurar, no nosso planeta, um lugar para recomeçarem. Afinal sempre tinha sido esse o objectivo da grande viagem. Desejamos-lhe sorte e esperávamos que conseguissem ter aqui a melhor das vidas. Desapareceram, a pé, pela rua, sem saber que as suas aventuras já eram conhecidas e que até tiveram honra de foto na parede do quarto de uma adolescente. O céu estava limpo e estrelado. Hum...quanta vida poderia haver para além das estrelas?
Arroz de Pota*Ingredientes:
1 tentáculo de pota grande ou 2 pequenos congeladas (e previamente descongeladas)
1 copo de vinho tinto
1 folha de louro
1 cebola pequena, picada
1 dente de alho, pelado e esmagado
1 cenoura pequena, descascada e cortada em cubos
1 tomate maduro, pelado e sem sementes
1/2 chávena de miolo de camarão (previamente descongelado)
100 gr. de ervilhas congeladas
1 chávena de arroz
2 chávenas de liquido (água da cozedura+água quente)
Azeite q.b.
Sal q.b.
Salsa para servir
Preparação:
Comece por cozer a pota na panela de pressão, juntamente com o vinho e a folha de louro. Conte cerca de 20 minutos a partir do momento em que o vapor começa a soltar-se. Deixe sair todo a pressão da panela antes de a abrir (coloque a panela debaixo de uma torneira com água fria a correr durante uns segundos, feche a torneira e depois retire a "bailarina", sempre com cuidado, claro, para soltar o resto da pressão e abra a panela), verifique se está cozido. Reserve o liquido da cozedura.
Corte os tentáculos em pedaços pequenos. Reserve.
Pré-aqueça o forno a 180º.
Num tacho aloure, num fio de azeite, a cebola, o alho, a cenoura e os camarões.
Quando a cebola estiver translucida, junte o tomate e deixe refogar mais uns minutos, envolvendo e esmagando, com a colher de pau, os pedaços maiores, acrescente um pouco do liquido da cozedura reservado e deixe fervilhar.
Acrescente então a restante água e deixe, novamente, levantar fervura.
Junte a pota e as ervilhas. As ervilhas congeladas vão baixar a temperatura da água, por isso deixe ferver mais uma vez antes de acrescentar o arroz, que deverá envolver delicadamente.
Deixe ferver em lume médio alto por 2 ou 3 minutos.
Transfira o arroz para uma travessa de forno (ou use desde o inicio um tacho que possa ir ao forno) e leve a acabar de cozer no forno.
Uma refeição diferente do habitual lá por casa, mas sempre apreciada.
Ingredientes:
3 tentáculos de pota congelados
3/4 de chávena de arroz carolino
1 cebola
2 dentes de alho
2 folhas de louro
1 ponta de piri-piri
1/2 copo de vinho tinto
Azeite q.b.
Sal q.b.
Coentros q.b.
Ovo, farinha e pão ralado para panar os filetes (utilizei pão ralado aromatizado com alho, salsa e limão)
Óleo para fritar
Preparação:
Coloque os tentáculos (podem estar congelados), 1/2 cebola, 1 dente de algo e 1 folha de louro na panela de pressão. Junte um pouco de água, não mais que meio copo, uma vez que os tentáculos vão libertar água. Feche a panela e quando atingir pressão deixe cozer durante cerca de 30 minutos.
No fim, liberte a pressão, abra a panela e verifique se os tentáculos estão cozidos.
Reserve a água de cozedura.
Prepare os filetes com a parte mais grossa dos tentáculos, cortando-os a meio no sentido longitudinal e reserve os restantes para o arroz.
O arroz:
Refogue 1/2 cebola picada em azeite, juntamente com o alho esmagado e a folha de louro.
Assim que a cebola estiver transparente refresque o refogado com o vinho. Junte os tentáculos reservados para o arroz, partidos em pedaços pequenos e deixe fervilhar em lume médio até o liquido reduzir para metade.
Acrescente chávena e meia da água de cozedura do arroz, tempere de sal e junte o piri-piri.
Quando começar a ferver junte o arroz, envolva e deixe ferver novamente.
Reduza o lume para o mínimo. O arroz demorará cerca de 20 minutos a cozer. Como não quero um arroz seco, nem com muita calda, a meio do tempo acrescento mais meia chávena de água.
A cinco minutos do fim da cozedura acrescente os coentros e se estiver a usar um fogão eléctrico desligue-o. O calor residual do disco e do tacho vai finalizar a cozedura do arroz.
Entretanto prepare os filetes:
Passe cada um dos filetes por farinha, ovo e pão ralado, nesta sequência e sacudindo bem o excesso a farinha e o pão ralado.
Frite em óleo bem quente até estarem dourados de ambos os lados.
Sirva com rodelas de limão, acompanhados do arroz.
Este é o arroz de polvo (bom...por acaso é o que sobrou para o dia seguinte) que foi à mesa no último jantar de 2010, apresentado como se quer no próprio tacho a fumegar e a acompanhar uns filetes do mesmo bicho que não posaram para a fotografia.
Ingredientes (para 6 pessoas):
1 polvo com cerca de 2 kg
2 cebolas
1 tomate maduro
1 dente de alho
1 folha de louro
1 e 1/2 chávena de arroz carolino
Piri-piri
Sal q.b.
Azeite Espiga Virgem Extra q.b.
Óleo para fritar
Ovo e farinha q.b. para panar os filetes
Preparação:
Coloque o polvo na panela de pressão juntamente com uma cebola. Ponha um pouco de água (cerca de um copo), feche a panela e leve ao lume. Quando começar a silvar reduza para o mínimo e aguarde 20 minutos.
Desligue e verifique se o polvo está cozido: à partida estará cozida a cebola e o polvo também. Reserve a água da cozedura.
Deixe arrefecer e separe os tentáculos. Prepare os filetes com as partes mais grossas e reserve as pontas mais finas para o arroz.
O Arroz:
Pique uma cebola, o alho e o tomate pelado e sem sementes. Junte o louro e uma ponta de piri-piri e regue com azeite.
Refogue em lume médio, até a cebola estar transparente. Junte o polvo que reservou para o arroz, envolva, tape o tacho e deixe refogar mais um pouco, mas sem deixar queimar a cebola.
Acrescente uma chávena da água de cozedura do polvo, tempere de sal e deixe levantar fervura.
Junte o arroz, mexa e acrescente mais água de cozer o polvo (não tendo calda suficiente acrescente água), entre duas a três vezes a quantidade do arroz, conforme queira um arroz mais seco ou mais solto. Deixe levantar fervura novamente e reduza para o mínimo até o arroz cozer al dente. Vá vigiando e acrescentando água se necessário.
Se pretender um arroz bem solto, no fim da cozedura acrescente uma chávena de água fria. Desta forma o arroz parará de cozer e a calda não seca.
Os filetes:
Passe os filetes de polvo por ovo e farinha ou pão ralado, conforme preferir e frite em óleo bem quente.
Aqui está mais uma refeição daquelas que me faz crescer água na boca. Adoro polvo assado, no forno ou na brasa, ou frito em filetinhos deliciosos. Não é uma refeição frequente dentro de portas, mas fora é sempre uma boa opção (já experimentaram os filetes do "Aleixo"? ou o dito à Lagreiro aqui?)
Ingredientes:
1 polvo (este tinha cerca de 1,600 gr)
Batatas q.b.
2 1/2 cebolas
2 dentes de alho
1 tomate maduro
1 folhas de louro
1 pimento (utilizei tiras de pimento laranja e vermelho que ainda tinha no congelador)
1 chávena de arroz
1 copo de vinho tinto
Água q.b.
Sal q.b.
Azeite q.b.
Coza o polvo juntamente com uma cebola com casca em água sem sal. Quando a cebola estiver bem cozida o polvo também estará. Retire o polvo e a cebola e reserve a água da cozedura.
Prepare o polvo, cortando as pontinhas das pernas e a cabeça em pedacinhos e separando as pernas. Como o bicho era grandinho, reservei as pernas mais pequenas para fazer filetes noutra refeição.
Se vai assar batatinhas coza-as previamente em água e sal.
Como, quer o polvo, quer a batata já estão cozidos, o tempo de forno necessário é menor e os legumes podem não assar o suficiente, por isso leve ao forno pré-aquecido em calor médio uma assadeira com uma cebola partida em rodelas grossas, tiras de pimento (guarde algumas para o arroz) e tomate em rodelas, tudo regado com um golpe de azeite. Deixe os legumes irem assando sem queimar. Se necessário tape com papel de alumínio.
Entretanto, num tacho de barro faça um refogado com azeite, cebola, alho, pimento e uma folha de louro.
Quando a cebola começar a estalar junte as pontas das perninhas do polvo e a cabeça já partida. Deixe refogar mais um bocadinho e acrescente o vinho tinto. Deixe apurar até o vinho evaporar quase na totalidade.
Acrescente água de cozedura do polvo em quantidade suficiente para fazer um arroz seco (2 medidas de água para 1 de arroz). Tempere de sal.
Quando a água começar a ferver acrescente o arroz e deixe cozinhar normalmente.
Retire a assadeira do forno e pouse nos legumes as pernas do polvo já temperadas e as batatas com a pele. Regue com bastante azeite. Deixe o polvo e as batatas alourarem e tomarem-se do sabor do azeite.
Se o polvo ficou saboroso, o arroz nem se fala. Foi de comer mesmo sem mais polvo assado para o acompanhar