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27 de abril de 2017

Bolinhos de arroz e coco


"Abril arrozes mil". Foi assim que a Marta anunciou o tema para o desafio do mês de Abril. O arroz sendo um companheiro fiel das nossas meses, pode apresentar-se de múltiplas formas, como acompanhamento mais ou menos simples, mais ou menos ornamentado (arroz branco, de forno, de açafrão, de legumes (muitos), á grega...), ou ser a base um rico prato principal (arroz á Valenciana, arroz de marisco, de polvo, de carnes), ou numa sopa tão boa para acalmar o estomago, ou até sob a forma de doce (não o costumo ter na minha mesa de festas, mas muitos são os que não dispensam um arroz doce) e foi nesta forma mais doce que decidi trazê-lo à mesa deste mês: bolinhos, não muito doces, mas muito húmidos, quase a fazer lembrar uma massa de amêndoa.

E como se chama esta flor? Bago de arroz!
 


Ingredientes:
1/2 chávena de arroz carolino Pato Real
250 ml de bebida de coco
100 ml de nata vegetal de coco
1 casca de limão + raspa de 1/2 limão
40 gr. de manteiga
100 gr. de açúcar
2 ovos
2 colheres de sopa de coco ralado
100 gr. de farinha T55 peneirada
1 colher de chá de fermento em pó

Preparação:
Pré-aqueça o forno a 200º.
Leve a bebida de coco ao lume juntamente com a nata vegetal e a casca de limão e deixe levantar fervura.
Acrescente o arroz e mantenha em lume baixo até o arroz absorver todo o liquido. Retire a casca de limão e deixe arrefecer.
Reduza o arroz a puré e bata juntamente com a manteiga e o açúcar até obter uma massa uniforme.
Acrescente os ovos um a um, batendo sempre em velocidade média/baixa.
Junte a raspa de 1/2 limão e o coco ralado e envolva a farinha e o fermento peneirados.
Distribua a massa por forminhas de queques (pode previamente forrá-las com massa folhada, se quiser) e leve ao forno durante 20 minutos ou até os bolinhos estarem dourados e passarem no teste do palito.

27 de fevereiro de 2015

Um jantar nas estrelas




Depois de alguma ausência a Ana reabriu a padaria e com ela trouxe o "Convidei Para Jantar" de volta. Fui apanhada de surpresa pelo tema que marca a rentreé: "ailavius". Sim, aqueles "ailavius" ou "ailabius" à moda do Norte, que nos fizeram suspirar na adolescência. Confesso que fiquei bastante indecisa, porque sempre tive os meus ídolos, sim, mas não nenhum tão em particular que me levasse a suspirar e a comprar todas as revistas onde aparecesse. Era, assim, mais de fantasias. A realidade cá e a fantasia lá com os meus ídolos. Como adorava ver televisão e sonhar com aventuras, foi aí que recaiu a minha escolha, inspirada por uma noticia que me fez regressar um bocadinho á adolescência.

***

Terá Rita Redshoes fotografado um ovni a pairar sobre a Serra do Pilar? A noticia começou com uma inocente fotografia da minha tão linda cidade do Porto e da não menos bonita ribeira de Gaia publicada por Rita Redshoes na sua página do facebook. Na foto, junto à Serra do Pilar vêm-se três pontos luminosos no céu que depressa suscitaram a dúvida sobre o que seriam e a hipótese de um OVNI rapidamente se colocou, iniciando-se o habitual arraial de comentários entre crentes e não crentes que estas matérias costumam suscitar.

Eu sorrio. Não, não sou daquelas pessoas que crê que estamos sós na imensidão deste Universo de quem ninguém conhece os limites e que nos permite a fantástica experiência de admirar a luz de estrelas que já morreram. Sim, já pensaram nisso? O tempo no espaço mede-se em anos luz, por isso quando uma estrela nasce ou morre a noticia só nos chegas muitos anos luz depois. Sorrio também porque se agora admito a hipótese de vida para além da Terra, na minha adolescência, que atravessou os fantásticos anos 80, não era uma hipótese. Era uma certeza. Ora, esses anos 80 passeio-os entre os estudos, as leituras (lia avidamente todos os livros que me caiam nas mãos, literalmente, desde "Os Cinco"  a "Madame Bovary"), a música  (ainda guardo cassetes com as musicas que gravava da rádio) e a televisão e aqui, claro, no topo da eleição estavam as séries de ficção cientifica que exacerbavam  a minha imaginação. Não era miúda daqueles "ailabius" de andar sempre a suspirar e a beijar os posters que colava na parede do quarto (atrás da porta, só), mas tinha a minha quantidade de ídolos entre artistas do pequeno e do grande ecran e artistas musicais e  entre uns e outros os primeiros ganhavam aos pontos. Talvez porque estivessem no patamar da fantasia e para mim fizesse mais sentido suspirar "ailabius" por personagens em vez das pessoas que os encarnavam, já que essas estavam definitivamente longe, muito longe, da minha realidade.

Estava eu de volta dos tachos, com estes pensamentos e memórias, sorrindo para comigo (lá estou eu a sorrir), quando a Nikita começou a cheirar por baixo da porta de entrada e a rosnar ligeiramente. Ora, a Nikita não rosna, por isso o que é que se passa? Começo a ouvir passos, um estranho som quase metálico, depois mais passos. Naturalmente assustada chamo o D. e entretanto fez-se silêncio. A Nikita deixa de rosnar e começa a abanar a cauda.  A campainha toca. O D. abre a porta cautelosamente, deixando a Nikita à vontade, ela tem reações tão prontas e expressivas que corre com qualquer um. Lá fora dois sujeitos de fatiotas estranhas (mas o carnaval já não passou?)



   - Please, don`t be affraid! We are in peace!

Arregalo os olhos: Capitão Apollo? What!? Am I going crazy? Estarei a enlouquecer? Olho para o D. e pela expressão dele vejo que não, não estou louca. Acabamos por ouvir o que nos tinham para dizer: como eu sabia (sim, eu sabia), tinham feito uma longa jornada em busca do nosso planeta. A terra prometida para os sobreviventes da guerra contra os Cylon, a quem, finalmente, haviam derrotado. Mas alguns desses seres terriveis tinham também conseguido alcançar o planeta Terra e embora tivessem conseguido capturá-los quase todos, havia ainda um foragido que se atrevera a passar pelo nosso jardim. Apollo e Starbuck  vinham no seu encalço e Apollo havia ficado para trás para  nos avisar para termos cuidado. Entretanto, Starbuck aparece, ofegante, tinha recebido a comunicação via rádio de que o malvado Cylon havia sido encontrado e capturado. Regozijaram-se de alegria e como o dia começava a cair e os meus heróis pareciam cansados, acabamos por os convidar para jantar, afinal o arroz já estava no forno e que melhor que um prato quente para recuperar forças.


Desculpei-me pela simplicidade da refeição, a verdade é que não estava à espera de convidados, mas ainda bem que nessa noite o jantar era um prato farto. D. levou-os para a sala, sempre seguidos pela Nikita aos saltos, serviu-lhes um Porto, que apreciaram e começaram a contar as suas aventuras em busca desta colónia de humanos chamada Terra, confessando que quase haviam perdido a esperança quando a nave Battlsestar Galactica teve uma avaria no seu sistema de navegação e acabou por entrar neste sistema solar. Foi um mero acaso, mas um feliz acaso. "Mas que feliz acaso!!" pensei eu, ter o capitão Apollo (Richard Hatch) sentado na minha sala de estar ... Entre o sentido de humor sempre espirituoso de Starbuck (Dirk Benedict) e o cavalheirismo de Apollo, passamos umas agradáveis horas de conversa. Estávamos siderados com o que nos contavam acerca de outros mundos. Chegou a hora de partirem. Agradeceram o jantar e a hospitalidade. Tinha sido um começo auspicioso, disseram. Agora tinham que se reunir com os demais sobreviventes e procurar, no nosso planeta, um lugar para recomeçarem. Afinal sempre tinha sido esse o objectivo da grande viagem. Desejamos-lhe sorte e esperávamos que conseguissem ter aqui a melhor das vidas. Desapareceram, a pé, pela rua, sem saber que as suas aventuras já eram conhecidas e que até tiveram honra de foto na parede do quarto de uma adolescente. O céu estava limpo e estrelado. Hum...quanta vida poderia haver para além das estrelas?  



Arroz de Pota*Ingredientes:
1 tentáculo de pota grande ou 2 pequenos congeladas (e previamente descongeladas)
1 copo de vinho tinto
1 folha de louro
1 cebola pequena, picada
1 dente de alho, pelado e esmagado
1 cenoura pequena, descascada e cortada em cubos
1 tomate maduro, pelado e sem sementes
1/2 chávena de miolo de camarão (previamente descongelado)
100 gr. de ervilhas congeladas
1 chávena de arroz
2 chávenas de liquido (água da cozedura+água quente)
Azeite q.b.
Sal q.b.
Salsa para servir



Preparação:
Comece por cozer a pota na panela de pressão, juntamente com o vinho e a folha de louro. Conte cerca de 20 minutos a partir do momento em que o vapor começa a soltar-se. Deixe sair todo a pressão da panela antes de a abrir (coloque a panela debaixo de uma torneira com água fria a correr durante uns segundos, feche a torneira e depois retire a "bailarina", sempre com cuidado, claro, para soltar o resto da pressão e abra a panela), verifique se está cozido. Reserve o liquido da cozedura.
Corte os tentáculos em pedaços pequenos. Reserve.
Pré-aqueça o forno a 180º.
Num tacho aloure, num fio de azeite, a cebola, o alho, a cenoura e os camarões. 
Quando a cebola estiver translucida, junte o tomate e deixe refogar mais uns minutos, envolvendo e esmagando, com a colher de pau, os pedaços maiores, acrescente um pouco do liquido da cozedura reservado e deixe fervilhar.
Acrescente então a restante água e deixe, novamente, levantar fervura.
Junte a pota e as ervilhas. As ervilhas congeladas vão baixar a temperatura da água, por isso deixe ferver mais uma vez antes de acrescentar o arroz, que deverá envolver delicadamente.
Deixe ferver em lume médio alto por 2 ou 3 minutos.
Transfira o arroz para uma travessa de forno (ou use desde o inicio um tacho que possa ir ao forno) e leve a acabar de cozer no forno.



9 de janeiro de 2014

Arroz de frango com amêndoas e passas no forno / Chicken rice with almonds and raisins in the oven



"No aproveitar é que está o ganho" e com as sobras de um frango assado podemos fazer um prato completamente novo.

The gain is in taking advantage and with the leftovers of a roast chicken we can make a completely new dish.

Ingredientes:
Sobras de frango assado
1 cebola
1 dente de alho
1 cenoura
Uvas passas q.b.
Amêndoas q.b.
1 chávena de arroz
Azeite q.b.
1 folha de louro
1 punhado de salsa
Casca de laranja e de limão 
Salsa picada q.b.

Preparação:
Comece por preparar o caldo do arroz:
Desfie o frango e reserve a  carne.
Coloque os ossos, juntamente com uma folha de louro, um ramo de salsa e as cascas de laranja e limão, num tacho e cubra com água. 
Deixe ferver lentamente, em lume brando, durante cerca de 20 a 30 minutos.
Coe o caldo e reserve.
O arroz:
Num fio de azeite refogue a cebola, o dente de alho picados e a cenoura cortada em cubos, até que a cebola comece a ficar transparente. 
Junte as passas e a amêndoa grosseiramente picada.
Deixe alourar mais um pouco e junte a carne de frango desfiada. Envolva e acrescente 2 chávenas de caldo (complete com água se necessário) e tempere de sal. 
Deixe levantar fervura e acrescente o arroz. Mexa gentilmente e deixe ferver novamente.
Transfira o arroz para uma assadeira ou tacho de barro (pode fazer o arroz desde logo num tacho de barro) e leve ao forno, pré-aquecido a 180º, até o caldo secar e o arroz cozer. 
Polvilhe com salsa picada no momento de servir.



Ingredients:
Roasted chiken leftovers 
1 onion
1 garlic clove
1 carrot
Raisins to taste
Almonds to taste
1 1 cup of rice
Olive oil to taste
1 bay leaf
1 sprig of parsley
Zest of orange and lemon
Grated parsley to taste

Preparation:
Start to make the broth for the rice:
Shred the chicken meat and set aside.
Put the bones, along with a bay leaf, a sprig of parsley and orange peels and lemon in a saucepan and cover with water.

Let simmer over low heat for about 20-30 minutes.
Strain the broth and set aside.
Rice:

In a thread of olive oil saute the onion and the clove of garlic, all minced, and the diced carrots until the onion begins to turn transparent.
Add the raisins and almonds coarsely chopped.Leave a little more browning and add the shredded chicken meat. Involved and add 2 cups of broth (fill with water if necessary) and season with salt.
Bring to a boil and add the rice. Stir gently and simmer again.
Transfer the rice to a baking dish or clay pot (can make rice immediately in a clay pot) and cook in the oven, preheated to 350 F, until the broth and rice bake dry.
Sprinkle with chopped parsley just before serving.

16 de maio de 2013

O meu restaurante de sonho

Não podia ter sido mais interessante a escolha da Manuela para esta edição do ”Convidei para jantar”. A verdade é que, cada vez com mais frequência, eu e o D. comentamos como é difícil encontrar um restaurante que nos encha as medidas (e não nos depene a carteira, claro). Mesmo de entre aqueles que frequentamos mais vezes, saímos sempre com uma triste sensação de insatisfação e chegamos sempre à mesma conclusão “theres no place like home” que é como diz o melhor restaurante fica…em nossa casa. Não é um restaurante de sonho, por isso. É um restaurante real onde as portas se abrem, de par em par, à família e a todos os amigos, reais ou virtuais. É um restaurante pequeno, mas ainda assim podemos escolher entre o terraço, nos dias de sol e sem vento, onde os olhos nos fogem constantemente para o mar e a sala aconchegante envolta em música calma. Podemos escolher entre um simples grelhado na brasa ou um assado mais elaborado ou só uns petiscos e uma boa conversa à volta da mesa. É um restaurante onde procuramos servir bons ingredientes. Embora o supermercado seja o nosso principal local de abastecimento, sempre que possível escolhemos comprar a pequenos produtores de acordo com os produtos da época. Tivemos sorte, por isso, para este jantar: o coelho caseiro e de proveniência de confiança foi temperado com as ervas que recentemente adquirimos para um pequeno quintal suspenso de aromáticas.

Por isso, hoje abro-vos a porta de minha casa para vos receber cheia de alegria. Entrem, pousem os casacos e as malas, sintam-se à vontade como se devem sentir entre amigos.
Agora que os dias estão mais compridos podemos deleitar-nos com a réstia do sol sobre o mar, pena é que o dia se tenha posto um pouco ventoso, porque gostaria muito de pôr a mesa no terraço, mas vamos ter que jantar no aconchego da sala.


O que tenho para vos oferecer é uma refeição simples, com sabores que muito apreciamos e espero que sejam também do vosso gosto.

Sugestão da chefe

Entradas:
Meia lua de requeijão com doce de abóbora e noz


Ingredientes:
1/2 requeijão por pessoa
2 colheres de sobremesa generosas de doce de abóbora
Preparação:
Coloque o requeijão  no meio do prato e cubra com o doce.

Espargos salteados com lascas de presunto


Ingredientes:
1 molho de espargos
Tiras de presunto
1 dente de alho
Azeite q.b.
Preparação:
Corte a ponta mais grossa dos espargos.
Coloque ao lume um tacho com água e sal e deixe levantar fervura.
Junte os espargos e quando a água voltar a ferver conte 3 a 4 minutos conforme a grossura dos espargos.
Coe e passe gentilmente por água fria para parar a cozedura.
Entretanto, esmague o alho e coloque-o numa frigideira com o azeite. Quando o azeite estiver quente junte os espargos e salteie-os.
Coloque-os no centro do prato e á volta o presunto lascado.

Prato principal:
Coelho na brasa com arroz de cenoura e favas


Para o coelho:
Ingredientes:
1 coelho limpo e preparado para grelhar
3 dentes de alho grandes
5 hastes de tomilho (só as folhas)
2 colheres de chá de sal
1 pitada de mistura de alho e gindungo Espiga
Preparação:
Comece por temperar o coelho com 3 a 4 horas de antecedência: pique os dentes de alho bem picados e coloque todos os ingredientes do tempero num almofariz. Esmague bem até quase obter uma pasta. Barre o coelho com o tempero e reserve no frigorifico.
Leve a assar lentamente na brasa.


Para o arroz:
Ingredientes:
1 chávena de arroz carolino
2 chávenas de água quente
½ cebola picada
1 dente de alho pequeno com pele esmagado
1 cenoura descascada e cortada em cubos
1/2 chávena de favas descascadas (sem a camisa)
Sal e azeite q.b.
Preparação:
Num tacho coloque a cebola e o alho e regue com azeite.
Deixe alourar em lume brando até a cebola começar a estalar, mas sem dourar.
Junte a água quente, tempere de sal e, em lume forte, deixe levantar fervura.
Acrescente o arroz, a cenoura e as favas, envolva e tape o tacho. Reduza o lume para calor médio e quando a calda começar a ferver novamente reduza para o mínimo. Deixe cozer o arroz, o que deve demorar cerca de 12 a 15 minutos.

Sobremesa:
Folhados de maçã




Ingredientes:
1 maçã fuji para cada 2 folhados
Marmelada de maçã q.b. (caseira)
Açúcar q.b.
Preparação:
Pré-aqueça o forno a 180º.
Descasque as maçãs, corte-as em fatias finas e regue com sumo de limão
Dobre a massa folhada na diagonal, apenas para marcar o meio e volte a abrir o quadrado por completo.
Com uma faca afiada dê três golpes a meio de uma das metades, para criar aberturas na massa. Sobre a outra metade coloque uma fatia de marmelada de maçã, fatias de maçã (tantas quantas puder e polvilhe com cerca de 1 colher de café de açúcar.
Feche o folhado sobrepondo a parte golpeada sobre o recheio e com os dedos faça pressão sobre as beiras para que sele. Polvilhe com mais um pouco de açúcar e leve ao forno sobre uma folha de papel vegetal até a massa estar dourada.
Sirva morno e para os mais gulosos acompanhe com natas batidas ou uma bola de gelado de nata.

Bebidas:
Refresco de chá de roobois e frutos do bosque (morno ou frio)


Ingredientes:
1,5lt de água
½ laranja cortada em meias luas
½ limão cortado em meias luas
6 morangos limpos e cortados em pequenos pedaços
1 garrafa de água gaseificada
Açúcar a gosto
Preparação:
Pela manhã  faça o chá de Roobois com frutos do bosque. Deixe arrefecer e coe para uma jarra. Acrescente a água gaseificada, adoce a gosto e junte as frutas. Leve ao frigorifico até à hora de servir ou retirando um pouco antes se os convidados preferirem uma bebida menos fresca.

 E, assim, participo em mais uma edição do "Convidei para jantar", iniciativa do blogue "Anasbageri - A Padaria da Ana",  desta vez recebido pela Manuela do "A minha Cozinha é a Cores" sob o tema "Convidei para jantar no meu restaurante de sonho...".

26 de fevereiro de 2013

Do mar para a mesa bem à portuguesa



Um verdadeiro pitéu foi este almoço com um dos meus peixes preferidos. A sardinha está presente muitas vezes nas nossas refeições de Verão, simplesmente polvilhada de sal e assada na brasa. No Inverno moderamos o seu consumo, mas de vez em quando lá saem uns filetes de sardinha ou uma petinga frita.
O arroz de tomate, que é sempre uma boa companhia para este prato, não foi, propositadamente, malandrinho, mas também não foi um arroz seco. Ficou a meio caminho, húmido e muito saboroso, mas se preferir faço-o malandro, usando mais água e no final acrescente cerca de uma chávena de água fria para não empapar e no dia seguinte ainda terá um bom arroz.
Como sobraram filetes servimo-los ao jantar com outra companhia bem apreciada pela sardinha: o pão.

Filetes de sardinha com arroz de tomate e pimento

Ingredientes:
Os filetes:
10 filetes de sardinha
1 limão
2 dentes de alho
Sal q.b.
Farinha de milho
Óleo para fritar

O arroz:
3/4 de chávena de arroz carolino
1/4 de copo de vinho maduro branco
1 e 1/2 chávena de água quente
1/2 cebola
1 dente de alho
2 tomates maduros
1/2 pimento vermelho
1 folha de louro
Sal q.b.
Azeite q.b.

Preparação:
Compre os filetes já preparados ou peça na peixaria para preparar a sardinha em filete.
Tempere com o sumo de limão bem espremido, o alho picado e sal e deixe marinar de um dia para o outro.
No dia comece por preparar o arroz:
Dê um golpe em cruz na base dos tomates e escalde-os por 1 minuto em água a ferver (ou leve ao micro ondas num recipiente próprio, cobertos por água e programe 2,5 minutos na potência máxima). Transfira-os para um recipiente com água fria e com a ajuda de uma faca pele-os puxando a ponta da pele que entretanto se soltou com a fervura. Com cuidado retire as sementes e reserve a polpa.
Corte o pimento em tiras
Num tacho, refogue em azeite, a cebola e o dente de alho picados, a polpa de tomate, o pimento e a folha de louro.
Vá mexendo, para desfazer o tomate em pedaços mais pequenos, e quando a cebola estiver transparente refresque com o vinho branco.
Deixe levantar fervura até o vinho quase evaporar.
Acrescente a água e tempere de sal. Quando começar a ferver novamente acrescente o arroz, mexa e tape o tacho. Quando a calda começar a borbulhar reduza o lume para o mínimo e deixe cozer durante 15 minutos.
Entretanto prepare os filetes:
Escorra todo o sumo de limão e retire o alho que se encontre agarrado ao peixe.
Passe pela farinha, espalmando para que a farinha fique bem agarrada e frite em óleo quente.
Quando fritos, coloque os filetes sobre papel absorvente.


Ao almoço sirva os filetes acompanhados do arroz e de uma salada a gosto. Se sobrarem repita-os ao jantar numa sanduiche com pão de mistura, alface e tomate ou, se não quiser repetir, prepare a sanduiche para a marmita do dia seguinte.

15 de outubro de 2012

Convidei para Jantar



A música é uma ponte. Atravessa oceanos e continentes. Une pessoas que não se conhecem, nem sonham com a existência do outro, numa voz uníssona. Pode fazer rir, sorrir, chorar, pular e dançar, sonhar. Diverte. Faz pensar.  Muitas vezes é a voz do descontentamento, dos injustiçados. 

Ainda guardo na minha arrecadação uma caixa cheia de cassetes. Sim, de cassetes, velhinhas e tão desactualizadas que nem tenho onde as reproduzir, mas não tenho coragem de me desfazer delas. Aquelas fitas, que tantas vezes se partiam e se enrolavam nas cabeças dos gravadores/leitores, estão cheias de horas de músicas. Horas passadas no quarto de ouvido colado ao rádio, à espera daquela música e daquela outra e ainda da outra, de dedo em riste preparado para gravar assim que começavam a tocar. A "idade do armário" passou, ficaram essas cassetes, muitos vinis e nas minhas prateleiras tenho agora muitos Cd`s. Porque cresci, amadureci, mas o gosto pela música ficou. Já não a ouço horas a fio, muitas vezes nem me apercebo de que a estou a ouvir, mas ela está lá, no rádio do carro, no computador do escritório, em casa enquanto se prepara o almoço ou o jantar. De vez em quando lá vou buscar um daqueles Cd`s que fazem história, daqueles que fazem parte do nosso top 10 de sempre e colocamos no leitor e deixamos tocar em modo "repeat" dias a fio. Como "O Irmão do Meio", por exemplo, de onde, de repente saem as vozes em duo de Sérgio Godinho, que canta Lisboa, mas tem as suas raízes no Porto e de Caetano Veloso, com a sua voz que faz chorar e que me levou a Lisboa para assistir, a meio de uma semana de trabalho, a um concerto inesquecível. Duas vozes tão diferentes, mas que se complementam tão bem. E num repente, como quando uma belíssima música nos transporta para outro ambiente, estão os dois à minha mesa em animada conversa. Esfrego os olhos á espera que seja um sonho, mas não é. Estão mesmo aqui, duas vozes que cantam na mesma língua lusitânia, separadas por um imenso oceano e unidas pela música. Vai ser um serão memorável.

Ingredientes:
1 chávena de arroz
4 peitos de frango
20 camarões
1/2 pacote de couve de bruxelas congeladas
1 pimento vermelho assado
1/2 chávena de ervilhas
1/2 chávena de feijão verde cortado
1 cenoura cortada às rodelas
1 cebola pequena picada
1 dente de alho esmagado
4 rodelas de chouriço de carne
1 malagueta
1 folha de louro
1/4 chávena de de vinho branco
1 e 3/4 chávenas de água
Azeite q.b.
Sal q.b.

Preparação:
Pré-aqueça o forno a 200º.
Num tacho (pode usar um tacho de barro grande) refogue lentamente em azeite, os bifes de frango cortados em tiras e os camarões.
Quando estiverem alourados retire-os e reserve, mantendo quente.
Acrescente mais azeite se necessário e refogue a cebola, o dente de alho, a cenoura e o chouriço, juntamente com a folha de louro e um pouco de malagueta.
Quando a cebola começar a amolecer junte o vinho e deixe fervilhar durante 2 minutos.
Acrescente, então, a água e tempere de sal.Junte os restantes legumes, o frango e o camarão e deixe levantar fervura.
Acrescente o arroz e envolva.
Deixe levantar fervura e se estiver a usar um tacho de barro coloque-o no forno, senão transfira o arroz para um tabuleiro e leve ao forno até cozer.

Com este post participo em mais uma edição do "Convidei Para Jantar", inicitiva da Ana do "Anabasgeri" e este mês recebido pela Vera no blogue "Para o Jantar Temos ...", que escolheu o tema "Ìdolos Musicais".



8 de junho de 2012

Filetes de tentáculos e arroz do mesmo



Uma refeição diferente do habitual lá por casa, mas sempre apreciada.

Ingredientes:
3 tentáculos de pota congelados
3/4 de chávena de arroz carolino
1 cebola
2 dentes de alho
2 folhas de louro
1 ponta de piri-piri
1/2 copo de vinho tinto
Azeite q.b.
Sal q.b.
Coentros q.b.
Ovo, farinha e pão ralado para panar os filetes (utilizei pão ralado aromatizado com alho, salsa e limão)
Óleo para fritar

Preparação:
Coloque os tentáculos (podem estar congelados), 1/2 cebola, 1 dente de algo e 1 folha de louro na panela de pressão. Junte um pouco de água, não mais que meio copo, uma vez que os tentáculos vão libertar água. Feche a panela e quando atingir pressão deixe cozer durante cerca de 30 minutos.
No fim, liberte a pressão, abra a panela e verifique se os tentáculos estão cozidos.
Reserve a água de cozedura.
Prepare os filetes com a parte mais grossa dos tentáculos, cortando-os a meio no sentido longitudinal e reserve os restantes para o arroz.
O arroz:
Refogue 1/2 cebola picada em azeite, juntamente com o alho esmagado e a folha de louro.
Assim que a cebola estiver transparente refresque o refogado com o vinho. Junte os tentáculos reservados para o arroz, partidos em pedaços pequenos e deixe fervilhar em lume médio até o liquido reduzir para metade.
Acrescente chávena e meia da água de cozedura do arroz, tempere de sal e junte o piri-piri.
Quando começar a ferver junte o arroz, envolva e deixe ferver novamente.
Reduza o lume para o mínimo. O arroz demorará cerca de 20 minutos a cozer. Como não quero um arroz seco, nem com muita calda, a meio do tempo acrescento mais meia chávena de água.
A cinco minutos do fim da cozedura acrescente os coentros e se estiver a usar um fogão eléctrico desligue-o. O calor residual do disco e do tacho vai finalizar a cozedura do arroz.
Entretanto prepare os filetes:
Passe cada um dos filetes por farinha, ovo e pão ralado, nesta sequência e sacudindo bem o excesso a farinha e o pão ralado.
Frite em óleo bem quente até estarem dourados de ambos os lados.
Sirva com rodelas de limão, acompanhados do arroz.

18 de abril de 2012

Coelho assado com arroz de carqueja



"O Bolo da Tia Rosa" fez um ano de vida e convidou-nos a participar na festa fazendo um prato com um dos seus ingredientes preferidos: arroz. Achei graça à escolha do tema para a festa. O arroz é uma constante das nossas mesas e é tantas vezes preterido por ser, a maioria das vezes, um mero acompanhamento e nem sempre em exclusividade: arroz e salada, arroz e batata... Faz-lhe agora justiça a Mané, fazendo-o dele o rei da festa.

Arroz foi possivelmente a primeira coisa que aprendi a fazer na cozinha. Com a minha mãe, que o fazia de modo igual à minha avó. Usando sempre a mesma chávena como medida e de modo tão instintivo que quase já não se lhe poderia chamar de receita. Era apenas um modo de fazer e desse mesmo modo aprendi a fazer um arroz sequinhos bem a gosto lá de casa. Quando mudei de casa e, consequentemente, de fogão, tachos e utensílios, levei algum tempo a voltar a acertar com o ponto do arroz. Até levei algum tempo a encontrar a minha "chávena" de medida e a minha colher-de-pau. Fui evoluindo nos cozinhados e na confecção do arroz também, juntando-lhe outros ingredientes, outros caldos (como este de hoje), outros temperos, servindo-o como acompanhamento ou como prato principal. Poderia até servi-lo como sobremesa, mas ainda não acertei com "a" receita.



A carqueja é uma erva do monte, com propriedades medicinais e cujas folhas (não a flor) são muito utilizadas para temperar caça e conferir algum sabor de caça às espécies domésticas.
O tradicional arroz de carqueja é cozinhado com frango e o seu sangue e em algumas variações com carne de porco e coelho. Em qualquer dos casos a água do cozinhado é substituída por uma infusão de carqueja que deve descansar umas horas antes de ser utilizada. Eu preferi assar o coelho, usando a infusão para manter o molho do assado e para cozer o arroz que o acompanhou.

Ingredientes:
O coelho
1 coelho
2 dentes de alho
1 colher de chá de pimentão doce
Tomilho fresco q.b. - apenas as folhinhas
Azeite q.b.
Sal q.b.
1 colher de sobremesa de vinagre balsâmico
1 folha de louro
1 dl de vinho branco
1 dl de cerveja
1 cebola grande
1 cenoura
Batatas

O arroz:
1 litro de água
Carqueja seca
1/2 cebola
1 chávena de arroz
Sal. q.b.

Preparação:
O coelho:
De véspera triture no almofariz os dentes de alho esmagados juntamente com as folhinhas de tomilho, o pimentão, sal, azeite e o vinagre balsâmico até formar uma pasta com a qual vai barrar todo o coelho. Coloque-o num recipiente, junte a folha de louro e o vinho, tape e guarde no figorifico. No dia seguinte, pela manhã, volte o coelho, tape e guarde novamente até á hora de cozinhar. Também pela manhã ferva a água para o arroz, junte a carqueja e deixe ferver durante 5 minutos. Reserve a infusão, sem retirar a carqueja.
Pré-aqueça o forno a 200º.
Corte a cebola e a cenoura em rodelas e espalhe no fundo de uma assadeira. Pouse o coelho sobre a cama de legumes e regue com a própria marinada e a cerveja. Distribua as batatas descascadas e cortadas em gomos à volta do coelho leve a assar.
Vá regando as batatas e o coelho com o molho do assado acrescentando infusão de carqueja sempre que necessário.

Entretanto prepare o arroz:
Faça um refogado com a cebola picada e o azeite. Refresque com um pouco de infusão de carqueja e deixe fervilhar até quase secar o liquido.
Junte 2 chávenas de infusão e tempere de sal.
Deixe levantar fervura e acrescente o arroz. Mexa com a colher-de-pau, tape o tacho e deixe ferver novamente. Reduza para lume médio até se formarem "buracos" entre os bagos de arroz e reduza para o mínimo até o arroz cozer.

13 de março de 2012

Convidei para jantar - Joanne Harris e Fran Warde

Mais um dos jantares promovidos pela Ana e que desta vez partem da casa da Suzana. Este mês o desafio é convidar um chef ou cozinheiro para a nossa mesa. Assim que vi a proposta pensei: "este é difícil, não sei se vou conseguir participar", mas como um desafio não é suposto ser fácil, comecei a pensar. Fui vendo alguns programas de culinária, os livros que estão na minha estante e não me decidia, até que me resolvi questionar: "o que é para mim cozinhar?" "o que é que mais gosto na cozinha?". Da resposta a estas perguntas fez-se luz sobre o convidado.
Eu gosto de cozinhar, de comer e de comida. Gosto da comida pelo seu papel mais primordial: alimentar, sobreviver e, acima de tudo, pelo que culturalmente lhe fomos acrescentando: prazer de saborear, de descobrir, pelo seu lado social e familiar, de partilha e celebração. Uma sociedade define-se, entre outras coisas, pelo que põe no prato, pelo que come: de um lado a fastfood, comida industrializada, desenraizada, desprovida de laços de afecto e do outro lado a comida tradicional, de sabores aprendidos através de gerações, feita a pensar em quem come, cheia de afectos e histórias, recorrendo, tantas vezes, aos ingredientes mais básicos. Pensar em comida leva-me a memórias de casas com quintais, sopa de couve galega colhida na hora, as cebolas, os alhos, o feijão, tudo encarreirado à espera da sua vez, a ida ao galinheiro para apanha dos ovos acabados de pôr. Estas reminiscências despertam-me sabores que hoje não encontro na maioria dos produtos que compro nos supermercados, daí não resistir aos que são vendidos por produtores locais, semeados, plantados no tempo em que a natureza manda, crescendo sem pressas, colhidos no tempo certo e vendidos tal como são, sem preocupações de calibragem que nos enchem as bancas de supermercados de maçãs e pêras brilhantes de tamanhos idênticos e formas perfeitas, mas desprovidos de sabor. Pensar em comida levou-me aos livros de Joanne Harris onde a vida e cozinha andam intimamente ligadas. Palavras e sabores. Livros e receitas. Estórias e cozinhados. Ora, como gosto de ler e gosto de cozinhar resolvi convidar Joanne Harris que trouxe uma amiga, Fran Warde, "uma escritora que adora comida e uma ex-chef que adora escrever sobre comida"*. Uma dupla encantadora, apaixonadas por palavras e comida, tal como eu. Para as recebermos optei por um jantar simples e acolhedor, com sabores que fazem parte das nossas preferências e referências familiares. Uma galinha caseira fez as honras na mesa, bem temperada com ervas aromáticas que crescem na nossas pequena estufa e laranjas biológicas. Para acompanhar as tradicionais batatinhas, um arroz com frutos secos, a dar um toque exótico e legumes assados.
Falamos de tradições gastronómicas, da aprendizagem de vida que é a cozinha, da importância de usar produtos sazonais, de preveligiar os produtos locais e biológicos, dos mercados que gostamos de visitar. Trocamos histórias e receitas. Despedimo-nos no fim de um serão bem passado em amena cavaqueira. É tão bom o convivio à volta da mesa.


Galinha assada com batatinha, legumes assados e arroz de frutos secos

Ingredientes:
A galinha:
1 galinha do campo
2 laranjas biológicas
1 colher de chá de flocos de malagueta
2 pés de tomilho limão
1 ramo de alecrim
3 dentes de alho
1 colher de chá de sal
200 ml de vinho branco
1 cebola
Azeite q.b.
Os acompanhamentos:
Batatas:
Batata para assar q.b.
Sal q.b.
Azeite q.b.
Legumes:
1 curgete pequena
1 cenoura
1 alho francês (parte branca)
1 fatia pequena de abóbora
Tomilho, alecrim e cebolinho frescos q.b.
Sal picante q.b.
Azeite q.b.
Arroz
1 chávena de arroz
2 chávenas de água quente
1 mão cheia de passas, amêndoas e caju
1/2 cebola pequena
1 colher de café de açafrão
Sal q.b.
Azeite q.b.

Preparação:
De véspera tempere a galinha numa marinada feita assim: num almofariz misture os flocos de malagueta com os alhos picados, as folhinhas de tomilho e alecrim, o sal e o azeite.
Barre a galinha com este preparado, coloque-a num recipiente e regue com o vinho e o sumo das laranjas.
Deixe descansar de um dia para o outro.
No dia seguinte corte uma cebola às rodelas e espalhe no fundo de um tabuleiro de forno.
Descasque as batatinhas e dê uma cozedura  em água e sal, só até conseguir espetar a ponta de uma faca na batata. Coe a água.
Pouse a galinha sobre a cebola, espalhe as batatas em volta. Salpique com algum sal, regue com um fio de azeite e a marinada (retire as laranjas) e leve a assar em forno pré-aquecido a 220º, reduzindo a temperatura para 190º ao fim de 20 minutos. Além destes 20 minutos iniciais, calcule 20 minutos para cada 500 gr. de ave. Vá vigiando e regando a galinha e batatas com o molho do assado.

Entretanto descasque a cenoura e a abóbora, lave o alho francês e a curgete.
Corte a cenoura e o alho francês em rodelas grossas, a abóbora em cubos e a curgete em meias luas. Espalhe os legumes sobre um tabuleiro mais pequeno, polvilhe com sal e as ervas, regue com azeite, acrescente um pouco de água, cerca de 1 chávena de café, e tape com papel de alumínio. Leve ao forno até estarem macios.
A meio levante o papel de alumínio, com cuidado para não se queimar com o vapor, e mexa os legumes.
Prepare o arroz:
Pode desde logo utilizar um tacho de barro, ou se o seu fogão o não permitir um tacho normal para a fase inicial e depois um de barro para ir ao forno.
Pique a cebola e refogue num fio de azeite.
Começando a cebola a ficar transparente acrescente as passas e os frutos secos grosseiramente picados (ou não).
Deixe refogar mais um pouco, não deixando que os frutos queimem.
Acrescente o arroz e envolva. Deixe fritar por alguns minutos, em lume médio.
Acrescente a água, tempere de sal e junte o açafrão.
Deixe levantar fervura e transfira para o tacho de barro, se for o caso.
tape e leve ao forno por 15 a 20 minutos.

Notas:
* Cit. apresentação do livro "A Cozinha Francesa", cuja introdução recomendo vivamente que leiam.
Joanne Harris, escritora, nascida em 1964, em Yorkshire, é autora de vários romances, entre eles "Cinco Quartos de Laranja" e "Chocolate"
Fran Warde, chef de formação, tem vários livros editados, dois com a colaboração de Joanne Harris, "A Cozinha Francesa" e "Do Mercado Para a Sua Mesa".

29 de novembro de 2011

Para a Maria - Bifes de Frango com legumes estufados na frigideira e arroz branco



A Maria aventurou-se mundo fora por uma boa causa. Partiu para Timor Leste como voluntária das Nações Unidas. Partiu deixando todo o conforto civilizacional a que tão bem nos habituamos. Para ela a noção de que o mundo é uma aldeia global onde tudo está tão perto quanto um simples clique passou a ser uma mera ilusão.  Num país tão diferente, tudo mudou. Não tem ao seu dispôr as imensas prateleiras das grandes cadeias de supermercado repletas de tudo e mais alguma coisa, nem tão pouco a parafernália de tachos, panelas, utensílios e mais tralhas que conseguimos juntar numa cozinha. Porém não é esta limitação logística que vai impedir a Maria de saborear uma refeição saborosa no fim de uma jornada cansativa e por isso a Moira lançou o desafio a toda a blogosfera: vamos ajudar a Maria e preparar para ela um jantar reconfortante e prático usando apenas com os ingredientes e utensílios que ela tem à sua disposição. Difícil? Só aparentemente. Os ingredientes são básicos e fazem parte do nosso dia-a-dia e quanto aos utensílios, bom, nunca as nossas avós ou bisavós deixaram de fazer cozinhados deliciosos só porque não tinham robots de cozinha e varinhas mágicas. Por isso, Maria, este é o jantar que sirvo para ti.

Parabéns, Moira, pelo desafio e pelo 4º aniversário do "Tertúlia de Sabores"!

Utensílios:
1 frigideira
1 colher-de-pau
1 tacho
1 chávena
1 faca

Ingredientes:
Para o frango/galinha:
2 peitos de frango/galinha abertos (bife)
1 dente de alho
1 limão
Sal q.b.
Azeite ou óleo q.b.

Para os legumes:
1 cenoura
1 pimento
1 tomate
1 cebola
1 dente de alho
Sal q.b.
Azeite q.b.
Oregãos q.b.

Para o arroz:
1 chávena de arroz
2 chávenas de água
1 dente de alho
Sal q.b.
Azeite ou óleo q.b.

Preparação:
Comecemos por temperar o frango com alho picado, sumo de limão e sal. Deixámos tomar do sabor por uma hora (ou menos, Maria, que esta carne é já de si bem saborosa).
Depois passamos a lavar e arranjar os legumes: descascamos e cortamos a cebola e a cenoura às rodelas, cortamos o pimento e o tomate (sem sementes) em cubos. A maçã é também descascada e cortada em cubos, mas só na hora de a cozinhar para não oxidar.
Reservamos os legumes e avançamos para o arroz:
Num tacho deitamos um fio de azeite ou óleo e o alho picado. Deixamos alourar o alho, sem queimar, e juntamos o arroz. Envolvemos bem e deixamos fritar por 2 ou 3 minutos. Acrescentamos a água e o sal. Deixamos  ferver um pouco e reduzimos o calor do fogão para lume brando até o arroz ter absorvido toda a água e estar cozido.
Enquanto isso deitamos um fio de azeite na frigideira, aquecemos e juntamos a cebola, a cenoura e o pimento. Deixamos alourar a cebola até amolecer. Segue-se a maçã e finalmente o tomate. Deixamos refogar lentamente, temperamos de sal e acrescentamos água para que sejam servidos com algum molho. Transferimos os legumes para o prato de servir que fica junto ao fogão para não arrefecerem.
Na frigideira, que não precisa de ser lavada, acrescentamos mais um fio de azeite, só o necessário para untar e grelhamos os bifes de frango/galinha.
O arroz já está pronto, o frango também. Polvilhamos os legumes com oregãos e servimos.
Bom apetite, Maria!


18 de novembro de 2011

Salmão assado com arroz de legumes


Um peixe rico, pede sempre uma boa companhia. Não sei se é pela cor, mas quando penso em salmão associo-lhe os sabores da laranja e do limão, por isso outro destino não poderiam ter as laranjas da fruteira que não fosse o de perfumar uns lombos de salmão para o nosso almoço. À laranja juntou-se o tomilho, que teima em bem crescer nos vasos do terraço, e um arroz solto de legumes, de uns brócolos verdes a contrastar com o laranja do peixe.



Ingredientes:
Para o salmão:
1 lombo de salmão por pessoa
1 laranja
2 dentes de alho
2 hastes de tomilho
1 dl de vinho branco
Sal q.b.

Para o arroz:
1 chávena de arroz
1 cenoura
1 "ramo" de brócolos
1 cebola
3 rodelas de chouriço
1 dente de alho
1 folha de louro
1 ponta de malagueta
Azeite q.b.
Água q.b.
Sal q.b.

Preparação:
Tempere os lombos de salmão com o vinho, o sumo de laranja, as folhinhas do tomilho, os dentes de alho picadinhos e sal. Deixe marinar durante uma a duas horas.
Separe os raminhos de brócolos e coloque-os num recipiente cobertos de água com umas gotas de vinagre. Deixe repousar por uns minutos e passe por água corrente. Reserve. Num tacho refogue, em azeite, a cebola picadinha, juntamente com as rodelas de chouriço e a cenoura cortada em cubos pequenos, a folha de louro e a malagueta.
Quando a cebola estiver amolecida, refresque com um pouco de água e deixe fervilhar durante uns minutos. Acrescente três chávenas de água quente, tempere de sal e quando a água começar a ferver junte o arroz. Mexa o arroz, reduza o calor do fogão para lume médio e assim que a água levantar fervura junte os brócolos. Deixe novamente levantar fervura e reduza o calor do fogão para lume brando. Deixe cozer o arroz, acrescentando água quente se necessário.
Quando o arroz estiver cozido desligue o fogão e acrescente uma chávena de água fria. Assim pára a cozedura do arroz que se vai manter com calda até à hora de servir.
Entretanto, enquanto o arroz coze, grelhe o peixe numa grelha bem quente. Por cá encarregou-se o D. de o levar à brasa numa dia em que o sol nos deu um ar da sua graça.
Sirva com laranja em gomos.

20 de setembro de 2011

Se o cozido é pobre, a sopa é rica



O cozido à portuguesa é um dos meus pratos preferidos da nossa cozinha tradicional, mas com excepções: nada de orelheiras, focinhos, mãos ou pés. Sei que fazem a delicia de muitos, mas definitivamente não a minha. Gosto da carne de vaca ou vitela, do frango mais ou menos, gosto das batatas e do arroz e adoro os legumes. Acima de todo gosto do conforto que me dá. É daqueles pratos que não dispenso quando ando enfastiada de exageros culinários. Um cozido bem simples e está o equilíbrio reposto. Também dispenso o cozido fora de portas, ou seja, em restaurantes. É daqueles pratos que só como em casa. Assim, junto apenas os ingredientes que aprecio e que me apetecem no momento. Tenho duas versões para este prato: o pobre, só com a carne de vaca, por vezes um pedaço de frango, as batatas e os legumese o mais rico, com as carnes de vaca e frango, os enchidos, as batatas, os legumes e o arroz.

Este que hoje trago ficou a meio dos dois, já que lhe faltou o frango. Como sempre utilizei a panela de pressão, onde também cozi o arroz e aproveitei a água da cozedura, que é muito rica e de sabor intenso, para fazer uma sopa para o jantar.
Esta sopa traz um certo sabor de infância  agarrado. Numa confecção mais simples de um parmentier feito só com a batata na água de cozer a carne (sem enchidos) a que depois era acrescentado o arroz, era a sopa que a minha mãe me dava quando ficava doente. E que bem que sabia, quentinha, cheia de pingos de amor. Curava todos os males, acreditem.

Ingredientes:
O cozido:
750 gr. de chambão ou nispo
1/2 morcela
1/2 chouriça Moura
1/2 chouriça de Ponte de Lima
1 couve branca (ou outra a gosto)
3 cenouras
2 nabos
5 batatas pequenas
1/2 chávena de arroz

A sopa:
2 lt de água do cozido
Batatas e legumes de sobra do cozido*
1 cebola
1 dente de alho
1/3 chávena (de café) de arroz (opcional)
Azeite q.b.
Sal q.b.



Preparação:
O cozido:
Coloque a carne e os enchidos na panela de pressão. Junte água, tempere de sal e leve a cozer. Começando a silvar a panela, reduza para o mínimo e conte 25 a 30 minutos.
Solte a pressão da panela e abra-a. Se os enchidos estiverem cozidos, retire-os. Junte os legumes descascados e partidos a gosto.
Lave o arroz e coloque-o na bola de cozer e arranje espaço na panela para ela. Feche a panela e leve ao lume contando quinze minutos no mínimo a partir do silvo da panela.
Abra-a com os cuidados necessários. Retire a bola do arroz escorrendo bem todo o liquido e transfira o arroz para uma travessa, dando uma volta aos grãos com um garfo para se soltarem. Se os legumes ainda não estiverem cozidos a gosto volte a fechar a panela contando mais 5 minutos de pressão. No final reserve a água de cozedura.
Corte a carne em pedaços e coloque-a numa travessa, com os enchidos e legumes.



A sopa:
Na água de cozer a carne junte as batatas, cenoura, nabos e couve sobrantes, a cebola partida em quartos e o alho esmagado. 
Leve a cozer em lume médio (Bimby: varoma/20 min./vel. 1/colher inversa).
Quando a cebola estiver cozida, triture tudo (Bimby: vel. 3-5-7).
Rectifique o sal e junte um fio de azeite.
Acrescente o arroz e deixe cozinhar por 20 minutos (Bimby: 20 min/100º/vel. colher inversa)
Estando pronta sirva juntando carne cozida desfiada.

*Acrescento sempre batata e alguns legumes ao cozido para que sobrem para a sopa. Claro que teremos que ter em conta a quantidade de batata para que a sopa não fique demasiado grossa, especialmente se lhe juntar o arroz.

11 de abril de 2011

Salada de arroz, frango, courgete e pimento



Mais uma sugestão "AC - Almoçar no Escritório". Agora que o calor começa a dar uns ares de graça, as comidas mias substanciais vão dar lugar a saladas e refeições mais leves. Com alguma imaginação e um punhado de ingredientes podemos transformar uma refeição de ontem, num novo prato bem saboroso. Aqui um frango assado de churrasco e arroz branco, foram complementados com courgete e pimento grelhados.

Ingredientes:
Frango de churrasco q.b.
Arroz branco cozido q.b.
1/2 courgete
1/4 pimento vermelho
Azeite aromatizado com piri-piri
Sal aromatizado com  tomate seco e cogumelos
Cebolinho

Preparação:
No fundo de um recipiente coloque 2 a 3 colheres de arroz.
Desfie o frango e espalhe-o sobre o arroz.
Lave bem os legumes e corte a courgete em fatias finas e o pimento em tiras. Tempere com o azeite picante e grelhe.
Sobreponha-as sobre a restante mistura.
Tempere com um pouco de sal e cebolinho picado.

25 de março de 2011

Arroz de carqueja com miudos

Foi o arroz que acompanhou o coelho assado anteriormente publicado. Não me perguntem pela foto. Espreitem a anterior que ele está lá bem no cantinho. Um bocadinho timido que escapou do apetite avassalador.

Ingredientes:
Carqueja
Água q.b.
Arroz q.b.
Miúdos de coelho (utilizei o figado assado juntamente com as batatas aqui)
1/2 cebola
1 dente de alho
Azeite q.b.

Preparação:
Faça uma infusão com a carqueja e reserve.
Corte o figado do coelho em pedaços pequenos.
Num tacho refogue em azeite a cebola e o alho bem picados e os míudos.
Junte o arroz (segui o conselho da Mónica e calculei uma chávena de café por pessoa) e envolva no azeite até os bagos se apresentarem transparentes.
Junte a infusão de carqueja na proporção do dobro do arroz.
Tempere de sal e deixe ferver.
Reduza o calor para o minimo até o arroz cozer.
Este ficou mais soltinho, não por intenção, mas porque o coelho já estava pronto e a fome apertava.

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