5 de junho de 2010

Larocas, Iscas e Pataniscas


Como prometido, aqui estão as larocas/pataniscas/iscas de bacalhau que referi neste post.
Embora haja tentação para considerar que iscas e pataniscas são dois nomes para o mesmo pitéu, a verdade é que são coisas diferentes: a patanisca é mais fina e crocante, a isca mais fofa e dobrada. Na patanisca mistura-se o bacalhau no polme da fritura, na isca vai o polme à sertã e no meio coloca-se uma boa lasca de bacalhau - uma isca - e dobra-se o polme à semelhança de uma omelete. Quanto ao polme pode ser o mesmo quer para as iscas, quer para as pataniscas, mas há quem aí também lhes encontre a diferença: para as iscas acrescenta-se ao polme de farinha, água e ovos, cebola e salsa picadas e para as pataniscas usa-se o polme base sem nenhum desses acrescentos. Há quem aprecie mais as iscas e quem aprecie mais as pataniscas. Eu aprecio ambas e ambas com salsa e cebola. 
Seja como for, iscas ou pataniscas, para mim serão sempre "larocas". Eram um pitéu comum na minha infância e era assim que as chamavam lá em casa - larocas -, escorridas em papel mata borrão e vindas da tasca gerida pelos meus avós paternos onde havia um balcão corrido e se servia copo a vinho tirado directamente da pipa guardada no compartimento ao lado e separado da sala de acesso público por uma porta de vai-vém. 
Foi uma grande descoberta quando, anos mais tarde, nessas idades em que começamos a descobrir que o que para nós eram certezas e verdades tão simples, não o eram para os outros,  percebi que ninguém sabia o que era uma laroca, porque todos as conheciam por iscas ou pataniscas. Confesso que me senti um pouco desiludida, porque a "ignorância" dos outros e a sua certeza de que o que é do conhecimento geral é que é correcto, parecia ter retirado um pouco do sabor mágico à laroca, reduzindo-a á generalidade das iscas e pataniscas. A desilusão passou e acabou por se transformar no saborzinho a vitória de saber o que mais ninguém sabia. Mas deixando as palavras e passando aos sabores foram estas as pataniscas que foram à mesa acompanhadas de um arroz de feijão vermelho bem malandrinho e ligeiramente picante:

Ingredientes (para 6 a 8 larocas):
1 chávena de farinha trigo
1 ovo
1 1/4 chávena de água
200 gr. de bacalhau desfiado, cozido
1 cebola pequena
Salsa q.b.
Óleo q.b.
Sal e pimenta q.b. se necessário

Preparação:
Pique a cebola e a salsa.
Numa tigela misture a farinha e o ovo.
Acrescente a água. Se tiver cozido o bacalhau no momento utilize a água de cozedura do mesmo.
Misture bem com a colher de pau ou vara de arames. O polme não deve ficar nem muito liquido, nem muito grosso. 
Junte a cebola e a salsa picadas e o bacalhau. Por mim não gosto do bacalhau muito moído, mas é ao gosto de cada um.
Aqueça o óleo numa frigideira larga e vá juntando colheradas do polme de bacalhau. Deixe fritar de ambos os lados até as larocas ficarem bem douradinhas e retire para um prato coberto com papel absorvente.
O polme destas foi feito por mim, mas a fritura foi feita pelo mestre dos churrascos que mais uma vez deu aqui mostras de bem lidar com os tachos e panelas e o duo, modéstia à parte, foi perfeito: as larocas ficaram bem saborosas e nada gordurosas.  
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