10 de maio de 2012

Convidei para jantar: Pedro Almodóvar

Vermelho. Côr. Paixão. Alucinações. Sentimentos. Simplicidade. Mulheres. Amor. Comida. Música. De tudo isto e muito mais se fazem os filmes de Pedro Almodóvar. É impossível ficar indiferente aos seus enredos quase loucos, mas também tão humanos, até porque afinal de louco todos temos um pouco não é?

Foi com o "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos" que Pedro Almodóvar me rendeu. Com a trama bem urdida que ligava os vários personagens numa série de coincidências enquanto a pobre Marisa dormia por conta de um gaspacho "temperado" de soníferos que Pepa havia preparado para Ivan, o amante que a tinha abandonado. Marquei este filme com gargalhadas e ainda hoje o tenho como uma das minhas comédias preferidas (a par com "O Monstro" de Roberto Begnini e "L`emmerdeur", de Édouard Molinaro).
A partir daí foi inevitável acompanhar os filmes dele. Descobrir, em cada um, as cores dos sentimentos mais profundos. Sim, porque Pedro Almodóvar transforma os sentimentos em cores. Cores vivas e despertas. E também em sabores e aromas, como esse gaspacho de Pepa, cheio do orgulho de uma mulher desprezada ou o "pisto manchego" que Raimunda prepara em "Volver", transformando a sua "mão culinária" numa fonte de sobrevivência.




Quis preparar um gaspacho para recordar aquela primeira incursão no cinema de Almodóvar, mas pareceu-me demasiado trivial. Queria surpreendê-lo da mesma forma que nos consegue surpreender com as suas estórias, além de que, a bem da verdade, sopas de tomate não são o nosso forte e frias muito menos. Não sei o que me parecia servir ao nosso convidado um prato em que não o acompanharíamos. Acabei por descobrir esta alternativa doce, simples e ... vermelha, digna de uma tela de cinema. Pedro surpreendeu-se  com a escolha, provou e ... adorou. Seguiram-se momentos bem dispostos, até hilariantes. Falamos de comida, claro, e do quanto Almodóvar aprecia os sabores cozinhados por sua mãe e a cozinha tradicional espanhola, tal como nós apreciamos a cozinha tradicional portuguesa. Ficou a promessa de um novo encontro, num dia de Verão e de um churrasco feito pelo D. e assim passou mais um belo jantar do desafio "Convidei para Jantar", desta vez com tema proposto pela Pami Sami, no seu Receitas do Menu Verde.


(Fonte: "Entre Coentros e Poejos" da autoria do chefe António Nobre)

Ingredientes: (serve 3)
1 fatia grande de melancia
Canela em pó a gosto
Folhas de hortelã
1 fatia de pão rústico do dia anterior
1 colher de sopa de azeite


Preparação:
Comece por cortar o pão em cubos. Aqueça o azeite numa frigideira anti aderente e frite os cubos de pão. Reserve.
Descasque e retire as sementes á melancia e triture no liquidificador ou bimby (alguns segundos velocidade 7).
Junte a canela e misture.
Coe se necessário e distribua por taças ou copos.
Polvilhe com a hortelã cortada em tirinhas e sirva com os croutons.
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