22 de outubro de 2010

Bilhete Postal - A Tasquinha do Fumo


Hoje uma sugestão de passeio e de bem comer a quem for para os lados de Baião: "A Tasquinha do Fumo".
Engana-se quem pensa que vai encontrar (pelo menos para já) um restaurante no verdadeiro sentido da palavra. Não, o que vão encontrar é, em plena serra da Aboboreira, uma casa de portas abertas a quem vier com bom apetite, o que não é difícil de ter com os ares sadios da serra. Chegamos lá de improviso por recomendação de quem já conhece a Tasquinha, mas não é má ideia ligar antes, uma vez que é frequente a casa encher com pequenos grupos.
A casa, situada numa povoação pequena, tem no rés-do-chão uma tasca de balcão corrido onde os anteriores proprietários serviam petiscos a caminheiros e caçadores e aos devotos de S. Brás que lhe dão graças nas festas que correm na primeira semana de Fevereiro. Falecidos os donos da "tasca" o Sr. Artur e a D. Isabel tomaram-lhe as rédeas e abriram a sala de jantar da casa, no andar de cima, a todos que quisessem mais que uns petiscos. Mesas e bancos corridos com toalhas ao xadrez, fazem as honras, numa sala de soalho velho e paredes caiadas, decorada ainda com móveis deixados pelos seus donos. A cozinha, à qual se acede apenas pelo exterior, guarda um forno a lenha de onde saem pratos suculentos, depois de a lenha arder por duas horas  para que o forno atinja a temperatura necessária para cumprir a sua função. Desta cozinha e dos dias frios enevoados pelo fumo da lareira, mas a que todos acorriam pelo aconchego do calor, nasceu o nome da tasquinha: "Tasquinha do Fumo".
Quando chegamos, sem aviso prévio, a casa estava vazia, mas aguardava um grupo, o que não foi problema algum, porque sempre se arranjava qualquer coisa. Demos um passeio pela aldeia - Almofrela - para esticar as pernas e respirar o ar do campo. Ao longe os sinos do gado faziam-se ouvir e nisto lá vem um rebanho de cabras, certinhas pelo caminho, a mando da sua pastora. Malandrecas, iam petiscando umas couves pelos campos à beira do caminho, sem pena de derrubarem a rede que os cercava.
A fome já apertava e o Sr. Artur e a D. Isabel, simpatiquíssimos e atentos anfitriões, já tinham na mesa, à nossa espera, pão como se quer e saborosíssimas fatias de presunto, a que se juntaram umas pataniscas de bacalhau quentinhas e cebola rachada (cebola aberta em quatro quase até ao fundo, temperada de sal e vinagre de vinho tinto). Uma vez que tínhamos chegado sem avisar, o Sr. Artur ía improvisar uma vitela com batata a murro, mas como o grupo chegou mais pequeno que o previsto, acabamos por comer uma galinha do campo assada, macia e suculenta, com arroz de forno. Um tinto da casa fez as honras à refeição e para uma sobremesa uma pêra bêbada como deve ser. Se por lá quiserem passar mas reservar antes fiquem a saber que são também famosos por aquelas bandas o arroz de cabidela e o anho no forno. Por mim, lá voltarei...    

P.S. Para lá chegar procurem pelo Centro Hípico de Baião e sigam essa estrada serrania. Vão passar por uma pequena povoação deserta e a seguinte é Almofrela. A Tasquinha fica logo à entrada, na primeira casa e tem estacionamento. De qualquer forma, podem procurar no Google por Almofrela, Baião. 
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