27 de agosto de 2014

Cinco anos e uma reflexão imperfeita

Cinco anos de blogue! Gosto de números impares, por isso o 5 é um número bonito. Com o blogue a meio vento de há cerca de 1 ano para cá, mais dedicado às marmitas, começa, agora a recuperar algum fôlego. Não sei se para manter ou não, porque os nossos dias são feitos de tantas coisas a que temos que dar primazia, que acabo por ter temporadas em que esta cozinha tem mesmo que navegar à deriva.
 

 
Não fiz este bolo a pensar neste dia, mas como os aniversários pedem sempre algumas reflexões, achei que este bolo que não ficou perfeito, na verdade não podia ser mais perfeito para aqui aparecer hoje. É uma receita simples, básica, a o do bolo de iogurte. Acrescentam-se uns aromas, uns recheios ou coberturas e o sucesso é sempre garantido e lá vem uma receita saborosa com fotografias a apelar a uma emergente ida para a cozinha. Neste em particular (que seria um bolo de iogurte, laranja e tomilho) estava com as expectativas elevadas, mas uma distração enquanto media os ingredientes tornou-o num bolo pesado, enqueijado e não naquele bolo leve que esperava á saída do forno.
 
 
 
Pois é, leitores de blogues de culinária (ou de receitas, como queiram) deste mundo, se pensam que tudo isto são rosas, que só fazemos iguarias deliciosas, desenganem-se. É que um blogue, seja qual for o seu tema, é como as outras áreas da nossa vida: não é perfeito, mas procura-se chegar lá. E para lá chegar tem que acontecer o inevitável: caímos, erramos, fazemos asneira. Depois erguemo-nos, corrigimos os erros, aproveita-se o que se pode e, ás vezes, temos mesmo que descartar o inaproveitável. Já aqui falei destas coisas, das imperfeições, das desventuras culinárias e neste dia volto ao tema, porque acho que é importante perceber que só se chega a este ponto, a 5 anos de partilhas, com muitos erros e desilusões à mistura. Às vezes as asneiras são tantas que me pergunto o que ando aqui a fazer. Bem melhor seria emparedar a porta da cozinha e mais nada. Depois vem-me à ideia um lema que abracei em juventude, mas que tem ficado esquecido: errar é um direito adquirido! Ser-se perfeito? Era tão bom, fazer-mos tudo bem e mais que bem, não esquecer o sal, não queimar o estufado, não deixar o leite vir por fora enquanto "pensamos na morte da bezerra". Pois era, mas ninguém é perfeito, ou pelo menos sempre perfeito, e é aí que está a beleza da vida. É importante reconhecer e aceitar este facto. É importante reivindicar o direito a errar e não nos deixarmos derrotar pela frustração da imperfeição. Não é o erro que nos define, mas o que aprendemos com ele.
 
E por estas coisas, hoje celebra-se o aniversário de um blogue de culinária sem receita. 
 


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