27 de fevereiro de 2015

Um jantar nas estrelas




Depois de alguma ausência a Ana reabriu a padaria e com ela trouxe o "Convidei Para Jantar" de volta. Fui apanhada de surpresa pelo tema que marca a rentreé: "ailavius". Sim, aqueles "ailavius" ou "ailabius" à moda do Norte, que nos fizeram suspirar na adolescência. Confesso que fiquei bastante indecisa, porque sempre tive os meus ídolos, sim, mas não nenhum tão em particular que me levasse a suspirar e a comprar todas as revistas onde aparecesse. Era, assim, mais de fantasias. A realidade cá e a fantasia lá com os meus ídolos. Como adorava ver televisão e sonhar com aventuras, foi aí que recaiu a minha escolha, inspirada por uma noticia que me fez regressar um bocadinho á adolescência.

***

Terá Rita Redshoes fotografado um ovni a pairar sobre a Serra do Pilar? A noticia começou com uma inocente fotografia da minha tão linda cidade do Porto e da não menos bonita ribeira de Gaia publicada por Rita Redshoes na sua página do facebook. Na foto, junto à Serra do Pilar vêm-se três pontos luminosos no céu que depressa suscitaram a dúvida sobre o que seriam e a hipótese de um OVNI rapidamente se colocou, iniciando-se o habitual arraial de comentários entre crentes e não crentes que estas matérias costumam suscitar.

Eu sorrio. Não, não sou daquelas pessoas que crê que estamos sós na imensidão deste Universo de quem ninguém conhece os limites e que nos permite a fantástica experiência de admirar a luz de estrelas que já morreram. Sim, já pensaram nisso? O tempo no espaço mede-se em anos luz, por isso quando uma estrela nasce ou morre a noticia só nos chegas muitos anos luz depois. Sorrio também porque se agora admito a hipótese de vida para além da Terra, na minha adolescência, que atravessou os fantásticos anos 80, não era uma hipótese. Era uma certeza. Ora, esses anos 80 passeio-os entre os estudos, as leituras (lia avidamente todos os livros que me caiam nas mãos, literalmente, desde "Os Cinco"  a "Madame Bovary"), a música  (ainda guardo cassetes com as musicas que gravava da rádio) e a televisão e aqui, claro, no topo da eleição estavam as séries de ficção cientifica que exacerbavam  a minha imaginação. Não era miúda daqueles "ailabius" de andar sempre a suspirar e a beijar os posters que colava na parede do quarto (atrás da porta, só), mas tinha a minha quantidade de ídolos entre artistas do pequeno e do grande ecran e artistas musicais e  entre uns e outros os primeiros ganhavam aos pontos. Talvez porque estivessem no patamar da fantasia e para mim fizesse mais sentido suspirar "ailabius" por personagens em vez das pessoas que os encarnavam, já que essas estavam definitivamente longe, muito longe, da minha realidade.

Estava eu de volta dos tachos, com estes pensamentos e memórias, sorrindo para comigo (lá estou eu a sorrir), quando a Nikita começou a cheirar por baixo da porta de entrada e a rosnar ligeiramente. Ora, a Nikita não rosna, por isso o que é que se passa? Começo a ouvir passos, um estranho som quase metálico, depois mais passos. Naturalmente assustada chamo o D. e entretanto fez-se silêncio. A Nikita deixa de rosnar e começa a abanar a cauda.  A campainha toca. O D. abre a porta cautelosamente, deixando a Nikita à vontade, ela tem reações tão prontas e expressivas que corre com qualquer um. Lá fora dois sujeitos de fatiotas estranhas (mas o carnaval já não passou?)



   - Please, don`t be affraid! We are in peace!

Arregalo os olhos: Capitão Apollo? What!? Am I going crazy? Estarei a enlouquecer? Olho para o D. e pela expressão dele vejo que não, não estou louca. Acabamos por ouvir o que nos tinham para dizer: como eu sabia (sim, eu sabia), tinham feito uma longa jornada em busca do nosso planeta. A terra prometida para os sobreviventes da guerra contra os Cylon, a quem, finalmente, haviam derrotado. Mas alguns desses seres terriveis tinham também conseguido alcançar o planeta Terra e embora tivessem conseguido capturá-los quase todos, havia ainda um foragido que se atrevera a passar pelo nosso jardim. Apollo e Starbuck  vinham no seu encalço e Apollo havia ficado para trás para  nos avisar para termos cuidado. Entretanto, Starbuck aparece, ofegante, tinha recebido a comunicação via rádio de que o malvado Cylon havia sido encontrado e capturado. Regozijaram-se de alegria e como o dia começava a cair e os meus heróis pareciam cansados, acabamos por os convidar para jantar, afinal o arroz já estava no forno e que melhor que um prato quente para recuperar forças.


Desculpei-me pela simplicidade da refeição, a verdade é que não estava à espera de convidados, mas ainda bem que nessa noite o jantar era um prato farto. D. levou-os para a sala, sempre seguidos pela Nikita aos saltos, serviu-lhes um Porto, que apreciaram e começaram a contar as suas aventuras em busca desta colónia de humanos chamada Terra, confessando que quase haviam perdido a esperança quando a nave Battlsestar Galactica teve uma avaria no seu sistema de navegação e acabou por entrar neste sistema solar. Foi um mero acaso, mas um feliz acaso. "Mas que feliz acaso!!" pensei eu, ter o capitão Apollo (Richard Hatch) sentado na minha sala de estar ... Entre o sentido de humor sempre espirituoso de Starbuck (Dirk Benedict) e o cavalheirismo de Apollo, passamos umas agradáveis horas de conversa. Estávamos siderados com o que nos contavam acerca de outros mundos. Chegou a hora de partirem. Agradeceram o jantar e a hospitalidade. Tinha sido um começo auspicioso, disseram. Agora tinham que se reunir com os demais sobreviventes e procurar, no nosso planeta, um lugar para recomeçarem. Afinal sempre tinha sido esse o objectivo da grande viagem. Desejamos-lhe sorte e esperávamos que conseguissem ter aqui a melhor das vidas. Desapareceram, a pé, pela rua, sem saber que as suas aventuras já eram conhecidas e que até tiveram honra de foto na parede do quarto de uma adolescente. O céu estava limpo e estrelado. Hum...quanta vida poderia haver para além das estrelas?  



Arroz de Pota*Ingredientes:
1 tentáculo de pota grande ou 2 pequenos congeladas (e previamente descongeladas)
1 copo de vinho tinto
1 folha de louro
1 cebola pequena, picada
1 dente de alho, pelado e esmagado
1 cenoura pequena, descascada e cortada em cubos
1 tomate maduro, pelado e sem sementes
1/2 chávena de miolo de camarão (previamente descongelado)
100 gr. de ervilhas congeladas
1 chávena de arroz
2 chávenas de liquido (água da cozedura+água quente)
Azeite q.b.
Sal q.b.
Salsa para servir



Preparação:
Comece por cozer a pota na panela de pressão, juntamente com o vinho e a folha de louro. Conte cerca de 20 minutos a partir do momento em que o vapor começa a soltar-se. Deixe sair todo a pressão da panela antes de a abrir (coloque a panela debaixo de uma torneira com água fria a correr durante uns segundos, feche a torneira e depois retire a "bailarina", sempre com cuidado, claro, para soltar o resto da pressão e abra a panela), verifique se está cozido. Reserve o liquido da cozedura.
Corte os tentáculos em pedaços pequenos. Reserve.
Pré-aqueça o forno a 180º.
Num tacho aloure, num fio de azeite, a cebola, o alho, a cenoura e os camarões. 
Quando a cebola estiver translucida, junte o tomate e deixe refogar mais uns minutos, envolvendo e esmagando, com a colher de pau, os pedaços maiores, acrescente um pouco do liquido da cozedura reservado e deixe fervilhar.
Acrescente então a restante água e deixe, novamente, levantar fervura.
Junte a pota e as ervilhas. As ervilhas congeladas vão baixar a temperatura da água, por isso deixe ferver mais uma vez antes de acrescentar o arroz, que deverá envolver delicadamente.
Deixe ferver em lume médio alto por 2 ou 3 minutos.
Transfira o arroz para uma travessa de forno (ou use desde o inicio um tacho que possa ir ao forno) e leve a acabar de cozer no forno.



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