16 de maio de 2011

BCFV - Adolescência


Entre a inactividade do blogger e a minha falta de disponibilidade no fim-de-semana acabou por ficar de publicar no dia de ontem a minha participação do BCFV - Adolescência, mas como na minha postagem queria fazer uma homenagem a uma querida amiga, a melhor amiga nessa fase bombástica da vida,  decidi a fazer a publicação com atraso. Aqui fica.


Adolescência. É aquela fase de extremos, em que não há cinzas entre o branco e o preto que a vida é. Há uma ânsia enorme de crescer, de viver ao máximo. Deixamos o mundo da casinha de bonecas e uma porta abre-se para um mundo tão diferente e tão vasto que queremos abarcar com um só abraço. Tropeçamos constantemente e levantamo-nos porque queremos continuar a correr e percorrer esse mundo. Nascem novos sentimentos e sabemos tudo. Sabemos o que mais ninguém sabe, nem os nossos pais. Até custa a crer, por vezes, que eles próprios tenham sido adolescentes de tão intolerantes que nos parecem. Só mais tarde, já adultos, adolescência passada, reconheceremos que afinal não sabíamos tanto assim, que ser pai ou mãe não é tão simples, tal como, aliás, a própria vida, tão cheia de cinzentos entre o branco e o negro. Que essa intolerância não era mais que um disfarçar da insegurança e do medo que sentiam enquanto nos viam crescer sabendo que haveríamos de cair algumas vezes e magoarmo-nos.
Mas desse período, a meio caminho entre a infância e a idade adulta, há um sentimento que em mim se destacou e ganhou raízes profundas. Que teve mais importância que todos os outros. A Amizade. A amizade das confidências, das amigas inseparáveis, das melhores amigas, dos risinhos incontroláveis, dos sonhos partilhados, dos ídolos da música e do cinema. Um sentimento puro, de dar e receber intuitivo e nunca interesseiro. No meu percurso de vida, até hoje, não posso dizer que tenha feito um grande número de amizades, mas o punhado de amigos que reuni é precioso. Não nos falamos todos os dias, não nos encontramos com a regularidade com que gostaríamos, mas sabemos que sendo preciso, ou não, estamos lá para o que der e vier.
Daqueles que hoje não fazem parte da minha vida, alguns foram-se perdendo nos meandros do mundo e reaparecem de vez em quando num telefonema inesperado, num encontro improvável em qualquer centro comercial ou até no Facebook. De outros, com quem não voltei a cruzar caminhos, ficam apenas as memórias felizes que nos fazem sorrir e de outros, ainda, fica a tristeza de uma partida precoce e uma saudade dos reencontros que a vida não voltará a permitir. Trago em mim um sorriso aberto de covinhas na face da I. que correu de mãos dadas comigo esse caminho de adolescência. Alegre e extrovertida, a contrastar com a minha timidez. Foram anos de confidências, de risos, de alegrias, de lágrimas partilhadas. A vida foi seguindo o seu caminho e nós também...cada uma o seu.
 Reecontramo-nos anos mais tarde através de uma outra amiga comum desse tempo mágico. Sempre o mesmo sorriso. Prometemo-nos novos reencontros que nunca vieram a acontecer. Mais alguns anos se passaram até me ter chegado a noticia do seu falecimento. Arrancada à vida no inicio dos seus trinta e poucos anos a I. permanece viva no coração de todos em que tocou com o seu sorriso franco e a sua alegria e é para mim a mais feliz imagem da adolescência. A primeira pessoa em que eu penso quando se fala nos doces 15 anos. E porque hoje que no BCFV celebramos a adolescência não podia deixar de lhe prestar uma homenagem. Hoje não deixo receitas. Hoje deixo aqui uma gota de amizade, um precioso ingrediente nos cozinhados da vida. Obrigada I. e obrigada a todas as minhas queridas amigas de ontem e de hoje. 
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