15 de outubro de 2012

Convidei para Jantar



A música é uma ponte. Atravessa oceanos e continentes. Une pessoas que não se conhecem, nem sonham com a existência do outro, numa voz uníssona. Pode fazer rir, sorrir, chorar, pular e dançar, sonhar. Diverte. Faz pensar.  Muitas vezes é a voz do descontentamento, dos injustiçados. 

Ainda guardo na minha arrecadação uma caixa cheia de cassetes. Sim, de cassetes, velhinhas e tão desactualizadas que nem tenho onde as reproduzir, mas não tenho coragem de me desfazer delas. Aquelas fitas, que tantas vezes se partiam e se enrolavam nas cabeças dos gravadores/leitores, estão cheias de horas de músicas. Horas passadas no quarto de ouvido colado ao rádio, à espera daquela música e daquela outra e ainda da outra, de dedo em riste preparado para gravar assim que começavam a tocar. A "idade do armário" passou, ficaram essas cassetes, muitos vinis e nas minhas prateleiras tenho agora muitos Cd`s. Porque cresci, amadureci, mas o gosto pela música ficou. Já não a ouço horas a fio, muitas vezes nem me apercebo de que a estou a ouvir, mas ela está lá, no rádio do carro, no computador do escritório, em casa enquanto se prepara o almoço ou o jantar. De vez em quando lá vou buscar um daqueles Cd`s que fazem história, daqueles que fazem parte do nosso top 10 de sempre e colocamos no leitor e deixamos tocar em modo "repeat" dias a fio. Como "O Irmão do Meio", por exemplo, de onde, de repente saem as vozes em duo de Sérgio Godinho, que canta Lisboa, mas tem as suas raízes no Porto e de Caetano Veloso, com a sua voz que faz chorar e que me levou a Lisboa para assistir, a meio de uma semana de trabalho, a um concerto inesquecível. Duas vozes tão diferentes, mas que se complementam tão bem. E num repente, como quando uma belíssima música nos transporta para outro ambiente, estão os dois à minha mesa em animada conversa. Esfrego os olhos á espera que seja um sonho, mas não é. Estão mesmo aqui, duas vozes que cantam na mesma língua lusitânia, separadas por um imenso oceano e unidas pela música. Vai ser um serão memorável.

Ingredientes:
1 chávena de arroz
4 peitos de frango
20 camarões
1/2 pacote de couve de bruxelas congeladas
1 pimento vermelho assado
1/2 chávena de ervilhas
1/2 chávena de feijão verde cortado
1 cenoura cortada às rodelas
1 cebola pequena picada
1 dente de alho esmagado
4 rodelas de chouriço de carne
1 malagueta
1 folha de louro
1/4 chávena de de vinho branco
1 e 3/4 chávenas de água
Azeite q.b.
Sal q.b.

Preparação:
Pré-aqueça o forno a 200º.
Num tacho (pode usar um tacho de barro grande) refogue lentamente em azeite, os bifes de frango cortados em tiras e os camarões.
Quando estiverem alourados retire-os e reserve, mantendo quente.
Acrescente mais azeite se necessário e refogue a cebola, o dente de alho, a cenoura e o chouriço, juntamente com a folha de louro e um pouco de malagueta.
Quando a cebola começar a amolecer junte o vinho e deixe fervilhar durante 2 minutos.
Acrescente, então, a água e tempere de sal.Junte os restantes legumes, o frango e o camarão e deixe levantar fervura.
Acrescente o arroz e envolva.
Deixe levantar fervura e se estiver a usar um tacho de barro coloque-o no forno, senão transfira o arroz para um tabuleiro e leve ao forno até cozer.

Com este post participo em mais uma edição do "Convidei Para Jantar", inicitiva da Ana do "Anabasgeri" e este mês recebido pela Vera no blogue "Para o Jantar Temos ...", que escolheu o tema "Ìdolos Musicais".



12 comentários:

Ondina Maria disse...

Sergio Godinho é daquelas vozes que me traz conforto. Talvez porque o ouço ainda estava na barriga da minha mãe. Lembro-me de ser pequenina e ouvi-lo boquiaberta a cantar "Ai eu estive quase morto no deserto e o Porto aqui tão perto". E ficava aterrada, pois o Porto que eu conhecia não tinha deserto próximo :D
Assim como o ouvi a ele, ouvi todos os outros cantores portugueses e as suas músicas de intervenção (tão actuais, até parece que demos uma volta de 360º), isto sempre acompanhada pelo meu pai. Já a minha mãe foi a grande responsável pela minha exposição à música brasileira: Tom Jobim, Caetano Veloso e sua irmã Maria Betânia, Ney Matogrosso (o preferido da minha mãe, talvez por ser extravagante como o António Variações).
Então este teu post de hoje é um regresso à minha infância, com português em dois sotaques diferentes :)

Addicted disse...

Ficou maravilhoso, adorei :)
beijinhos
Addicted
http://cookaddiction.blogspot.pt/

Mané disse...

Sergio Godinho é um dos meus cantores portuguesa, sempre me fascinou no "encaixe" que faz da letra à música ou vice versa (não sei como se designa tecnicamente, mas creio ter-me feito entender).
A canção que escolhes aqui em doente é realmente magnifica, estou a (re)ouvi-la enquanto te escreve e não consigo deixar de me embalar.
Acho que escolheste divinamente.
Não sei como designas o prato que lhes ofereceste mas está com um excelenrte aspecto, decerto comeram e repetiram
:)

Isa Lourenço disse...

Este arroz está uma verdadeira delicia!!!!!

Quanto a Sérgio Godinho, gosto muito da música dele!!

Parabéns pelo blog!

Bjocas

Mafalda disse...

Que aspecto maravilhoso e o cantor foi muito bem escolhido para jantar.. :)
bjs

são33 disse...

Esse arroz tem tudo para me agradar.
Esta perfeito.
Boa semana
bjs

Ilídia disse...

Sabes que Sérgio Godinho estava na minha lista para este jantar? Como eu gosto do nosso cantor/ poeta :) E muito de "Irmão do meio". Adoro o dueto com o Zeca Baleiro :)
Gostei muito do teu arroz.
Um beijinho e parabéns pelo jantar.
Ilídia

Ginja disse...

Adoro o Sérgio Godinho!!
Estive a pensar também em convidá-lo para estes jantares :)
Parabéns pela escolha e pelo jantar.
Um beijinho.

Rosa Santos disse...

Olá!
Gosto muito de Sérgio Godinho e já ouço as suas cantigas
à muitos anos.
O arroz... pelo aspecto devia estar delicioso.
Um beijinho

Ameixinha disse...

Que posso eu dizer? Convidei o Sérgio e também lhe dei arroz ha ha

Alice disse...

Ai que boas recordações trouxe este tema, eu também tinha dezenas de cassetes gravadas com quilómetros de músicas variadíssimas!:) Apesar de muitas vezes subir às paredes quando se partiam as fitas, chegando a tentar repará-las com fita-cola (!), acho que eram tão práticas!! Podiam gravar-se aos poucos, gravar-se por cima, ou sobrepor só metade... Ai saudosismo desgraçado!:D
Também gosto muito de Sérgio Godinho, adoro as letras e adoro a voz, excelente escolha e excelente participação!:)
Beijinhos e bom fim de semana!

Alice disse...

Ah! Esqueci-me de mencionar que esse arrozinho está com um excelente aspeto :D

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